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Sonic Ideas / Ideas Sónicas Año 6 No. 11
Varios compositores / Various composers

Año 6 No. 11/ 6th vear number 11
Julio – Diciembre 2013/ July – December 2013

Geralmente, quando se comõe, começa-se por imaginar um som, por vezes verifica-se e coorige-se ao piano, depois escreve-se: anota-se. Será que existe uma diferença fundamental entre este método de trabalho tradicional e a composiçao de música de síntese, feita por computador? Quando estamos diante do monitor do terminal, também imaginamos um som, experimentamo-lo, corrigimo-lo e finalmente armazenamo-lo numa kinguagem informática. […].

Há um sentimiento de estarmos a contemplar um espelho insolentemente fiel, e que constantemente nos coloca questões pertinentes. Modificamos um parámetro e reagimos emocionalmente ao resultado. Modificamos outro parámetro e essa mudança produz outra emoção, subtilmente diferente , até talvez desconcertante. […] E assim repetimos centenas de vezes este vai-vem entre o objectivo e o subjectivo,, até se atingir uma espécie de adaptação mútua.


Jonathan Harvey


Ao escrever as notas de editor deste número de Ideas Sonicas/Sonic Ideas, dedicado à intercção entre instrumentos acústicos e sons electrónicos, não podemos deixar de mencionar a nossa tristeza pela partida de um dos grande criadores que trabalharam com modelos de intercção, tendo aberto novas fonteiras nesta área, e projectado-as na produção musical e cultural da actualidade. O seu pensamento creativo, bem expresso no texto acima, concebe a intercção como mais do que um mero resultado de ligação entre partes para formar um todo, tornando-se uma forma de imaginação que se inicia nos momentos mais íntimos do início da criação de uma obra, se reflecte em todo o processo de amadurecimiento das ideias e se revela no resultado final. Obras como Madonna of Winter and Spring, Death of Light of Death, ou Weltethos, permanecem na nossa memória e marcarão o seu espaço na História, projectando o pensamento e a sensibilidade de seu criador no futuro. A música não desapareceu, o espírito ficou, a mágica da escuta e da fruição irão continuar e permanencerão connosco.

Dear Jonathan, we salute you.


Na realizção da proposta temática para esta edição de Ideas Sónicas/Soniu Ideas, pareceu-nos relevante mencionar certos aspectos relacionados com a forma como os compositores e intérpretes concebem e realizam estratégias que levam à criação de modelos e prácticas relacionada com a intercção entre sons instrumentais e sons electrónicos.

Sejam eles do foro tecnológico, composicional, ous mesmo da resposta que o performer concebe para solucionar os desafíos propostos pelo compositor na partitura, o una relação entre o sistema informático e o fazer musical em cada momento, tais modelos ou realizações evidenciam uma relação estreita com a forma de pensar a música, e simultáneamente são o reflexo de uma atitude perante as capacidades tecnológicas que hojee m dia estão à disposição do criador.


Assim, alguns dos temas propostos, tais como o gesto musical, a conexão entre materiais composicionais, a justaposição ou sobreposição de elementos, a continuidade ou descontinuidade, pensamento abstracto vs. Experimentação laboratorial, entre outros, nos parece terem um papel importante, senão esencial, na criação de um vocabulario interactivo, integrado com um pensamento composicional ou uma atitude interpretativa perante a obra musical. Os textos que seguidamente temos o prazar de vos apresentar, cremos que dão uma resposta substancial a uma grande parte dasquestões por nós levantadas na chamada de trabalhos.


Fernando Iazzetta aborda aspectos importantes relativos à forma como as diferenças entre os mundos instrumental/acústico e electroacústico, podem contribuir de forma eficaz na criação de um discurso musical unificado e coerente, aproveitando as características particulares de cada um, e observando também como essas características se reflectem (quer por semelhança, quer por oposição) na interacção entre as partes que constituem o corpo de uma obra musical.


A relação entre o compositor e os meios tecnológicos com os quais trabalha é analisada no texto de Mario Mary. É lançado um importante alerta acerca da forma como a tecnologia pode influenciar negativamente o pensamento do compositor, e dos riscos de uma adaptação, ou até de uma subserviência estética, provocada pela submissão aos paradigmas tecnológicos ao dispor.


Numa vertente mais directamente relacionada com a composição, apresentamos três textos, abordando perspectivas diferentes sobre a forma como o pensamento criativo do compositor pode interagir e usufruir das ferramentas tecnológicas. Rui Penha apresenta soluções para um problema composicional, em que um interface gráfico, representando modelos físicos projectados no espaço, se alia à produção de gestos musicais e à construção da estrutura de uma obra. Robert Ratcliffe debruça-se sobre aspectos de hibridação numa composição e a forma como a tecnologia pode contribuir de forma activa e relevante neste campo. Jorge Variego analisa o estilo de tocar de Charlie Parker através da utilização de cadeias de Markov, lançando a hipótese do seu aproveitamento na definição de uma linguagem composicional. Finalmente, Elsa Felipe aborda diversas formas como a evolução tecnológica tem vindo a permitir uma relação mais próxima entre o compositor e os sistemas interactivos, promovendo uma maior facilidade na produção de gestos musicais.


No campo da performance em que a tecnologia actua de forma activa, dialogando com o intérprete, são mostrados diversos caminhos possíveis para a comunicação entre compositor/partitura/intérprete. Os textos apresentados orientam-se na direcção de uma compreensão profunda dos modelos usados na concepção de uma obra mista, e formas possíveis para a sua operacionalização na performance, especialmente sob a perspectiva de uma melhor interacção e integração entre os sons acústicos e electrónicos. Pedro Bittencourt analisa três obras para saxofone e electrónica e a forma como a colaboração entre o compositor e o intérprete influenciou o resultado final. Felipe Amorim debruça-se sobre a relação entre o intérprete e a electrónica pré-gravada e a maneira como as suas características sonoras e gestuais podem influenciar activamente a interpretação da obra.


Esperamos que estes textos sejam do vosso interesse, que venham a suscitar diálogos, contribuições e troca de ideias. A criação musical, quer sob a forma da composição, quer da interpretação, é um processo em constante evolução e para o qual todos nós podemos contribuir activamente e de formas diversas. Aos autores aqui representados agradecemos a sua cooperação e empenho.


A todos vós desejamos um excelente leitura.


João Pedro Oliveira